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Clenio Faccin e a “logística de um grupo de teatro”

     Um ser humano de teatro, um artista como poucos, de uma sensibilidade ímpar: no jogo, na cena e na entrega que o ofício necessita. O fazedor de teatro Clenio Faccin já nos anos 60 compreendia a necessidade de um processo de formação de plateias, pois sua geração acompanhou um esvaziamento dos teatros no decorrer de sua juventude. Como ator e diretor, era também responsável por reagir a esse processo. Encontrou oportunidade de realizar projetos através do Departamento de Assuntos Culturais (DAC), que viabilizava a montagem e circulação de espetáculos infantis durante a década de 1970. Com esse subsídio, realizava a circulação não de um, mas de dois espetáculos.

     A lógica desenvolvida foi a seguinte: as temporadas e circulações seriam com um espetáculo infantil nas escolas nos turnos da manhã e tarde, e um adulto no turno da noite. Ao final das apresentações para as crianças, eram distribuídos panfletos com a divulgação da peça adulta que seria apresentada na cidade. Desta maneira o TUI circulava com um repertório de teatro brasileiro que abordava temas próximos às problemáticas do povo.

     Assim adotou-se essa lógica, ou como o próprio Faccin dizia: adotou-se uma “logística de um grupo de teatro”. Ela consistia em montagens anuais de dois espetáculos teatrais nos períodos de férias e durante o ano, inúmeras viagens para alcançar o máximo de cidades e vilarejos em que o teatro comumente não chegava. É dessa forma que o TUI atravessa a década de 70 e 80. Vale informar que as viagens eram meticulosamente arquitetadas no sentido de, após as apresentações, uma divulgação, um resumo ou a temática do espetáculo do próximo ano já era apresentado à gestão das escolas e Secretarias de Cultura dos municípios. Com isso, buscava-se deixar engatilhada a negociação para apresentações do ano seguinte com novos trabalhos, construindo uma cultura teatral nas comunidades.

   Foi dessa forma que Clenio Faccin desenvolveu sua dimensão de produtor cultural e ficou conhecido no estado do Rio Grande do Sul com seu teatro itinerante. Durante os anos de 1990, começa a ser reconhecido por autoridades e políticos por alcançar no final da década da anterior, mais de um milhão de espectadores “crianças” nos municípios do Rio Grande do Sul e próximo ao fim da década de 90, ganhou outro reconhecimento. Dessa vez por alcançar mais de dois milhões de espectadores para o teatro, fomentando o processo de formação de plateias, algo fundamental à manutenção, fortalecimento e desenvolvimento de nossa profissão.

Autor: Cristiano Bittencourt

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