Em 22 de outubro de 1994, conheci pela primeira vez a sede do TUI. Ao final de uma oficina para estudantes da Escola Estadual Dr. Walter Jobim, recebi o convite para fazer uma experiência como ator no TUI. Aceitei e logo comecei a ensaiar para substituir um ator em dois espetáculos infantis. Esses foram meus primeiros passos no grupo.

Como descrever o processo de ensaio? Clenio precisava capacitar rapidamente um novo elenco, pois em março de 1995 deveríamos estar aptos às funções de ator, contrarregra, técnico, montador, sonoplasta, iluminador e o que mais fosse necessário para as viagens. Normalmente, pela manhã ensaiávamos um espetáculo, durante à tarde outro espetáculo e eventualmente a noite fazíamos mais um ensaio caso fosse necessário.
Tudo era novo para mim. No início, o aquecimento era individual e feito com todos os presentes em círculo. Havia também os ensaios de mesa, momento em que os textos eram entregues e líamos conjuntamente. No caso de substituição de ator ou atriz, o ensaio acontecia refazendo as marcas e reproduzindo as criações do último elenco. Essa prática ajudava a deixar a timidez de lado, aos poucos é claro. Com o tempo, vinha à confiança e a liberdade de criar e improvisar novas cenas. Esse foi o meu caso, afinal o espetáculo já existia e eu estava ali para substituir um ator que não poderia fazer as apresentações de 95. Assim, de maneira sistemática e com base na repetição incessante, as cenas eram ensaiadas uma a uma com ênfase no texto em questão.
Ao entrar na sala de ensaio, Clenio exigia a postura de quem tem pouco tempo e muito há ser feito. Com isso, normalmente fazíamos uma “passada” na estrutura do espetáculo com texto na mão e, logo na sequência, uma “passada valendo”, como dizia Faccin, ou seja, com elementos de cena, cenários e figurinos.

Nessa lógica de trabalho, o primeiro momento ou a primeira “passada”, também servia para construir e relembrar o roteiro da técnica, ou seja, quando não estava na cena diretamente, os atores assumiam a função de iluminador, sonoplastia ou cenotécnico da peça. Assim foram meus primeiros ensaios quando entrei no TUI para substituir Maurício Pauletti nos espetáculos “Carlota Feliz” e “Higiene, sim Senhor”, porém acabei finalizando o ano de 1994 em quatro espetáculos ao invés de dois. Entraram para conta “Recacau no supermercado” e “Complete ecologia é…”, além dos dois citados.
Nas férias desse ano e início de 1995 os ensaios eram divididos em dois momentos:

1 – Montagens e criações de cenas com ensaios conduzidos por Clenio, além de estudos da obra de Viola Spolin em oficinas preparatórias para capacitar o elenco;
2 – Estudos de mesa, análise do texto, análise das cenas e seleção de materiais das improvisações que eram escolhidos como pertinentes às montagens.
Assim, Clenio iniciava seu processo, construindo condições para os atores criarem e muitas vezes, mostrando como ele faria determinadas cenas. Os ensaios eram exaustivos no sentido de convencer Clenio, no que se refere à verdade de cada ator e atriz para com a “persona” que se pretende vestir. Essa era uma frase repetida inúmeras vezes pelo Clenio ao longo do tempo em que fui, por ele, dirigido e, porque não, formado.
Autor: Cristiano Bittencourt
