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Formar elenco e pessoas de teatro

O encenador e diretor geral do TUI até a década de 10, Clenio Facci, acreditava que o teatro brasileiro deveria beber nas fontes do Teatro do Oprimido. Ele julgava ser um método teatral participativo, com bases na cultura brasileira e que aborda as opressões como racismo, machismo, homofobia e luta de classes. Além disso, o Teatro do Oprimido busca romper com o colonialismo dos moldes teatrais europeizados em que a catarse corrobora para a manutenção das opressões entre os seres humanos.  O teatro do TUI comunicava, e comunica ainda hoje, a busca por diálogos capazes de fundir-se com a poética adota pelo grupo: o teatro como possibilidade de libertação das opressões que percorriam e ainda percorrem a América Latina.

A formação, para Clenio, consistia em capacitar, sensibilizar e preparar com exercícios físicos o corpo dos atores e atrizes, associado á logica proposta por Spolin em seu Sistema de Jogos Teatrais (Onde-Quem-O que-Poc). Através desses dois princípios, se construía um estado de jogo durante as oficinas e laboratórios do TUI. Trabalhava-se na cena para que os participantes ampliassem seus horizontes e entendimentos sobre as relações humanas e grilhões de opressão que nos moldam.

Paralelo ao laboratório de criação de cena, que era voltada a montagem propriamente dito, havia um treinamento com jogos dramáticos, acrobacias, improvisações e construção das personagens de cada texto a ser montado e dirigido por Clenio Faccin. Muitas dessas oficinas e laboratórios aconteciam em escolas, clubes e associações comunitárias em dias anteriores ou posteriores as apresentações do TUI. Esse sempre foi um terreno fértil para o fazer teatral do TUI, seja em atividades formativas ou em apresentações.

Foi após o ano de 1996 que as oficinas e o laboratório começam a se estabelecer na sede do grupo. Com isso, paulatinamente emerge a necessidade de abrir outro espaço cultural para apresentações em Santa Maria. Essa urgência de um local acessível começa a direcionar o trabalho do Teatro Universitário Independente para os anos seguintes. Emerge a ideia de construir um local onde se pudesse realizar formações, apresentações e compartilhamento de vivências. Um local que pudesse receber aqueles que estavam interessados em fazer teatro. Aqueles que foram fisgados nas escolas com as práticas teatrais engajadas e mobilizadores teriam um território para se reunir. Esse é o embrião do Espaço Cultural Victorio Faccin.

Autor: Cristiano Bittencourt

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